amorepaz
segunda-feira, 8 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
Boatos espalharam-se por toda a região acerca do sábio Homem Santo que vivia em uma pequena casa sobre a montanha. Um homem da vila decidiu fazer a longa e difícil jornada para visitá-lo. Quando chegou na casa, ele viu um velho empregado dentro que o recebeu, abrindo a porta.
"Eu gostaria de ver o sábio Homem Santo," disse ele ao servo. O velho sorriu e permitiu-o entrar.
Enquanto eles caminhavam ao longo da casa, o homem da vila olhava ansiosamente em torno, antecipando seu encontro com um homem considerado um verdadeiro Santo. Mas antes que pudesse dar pela coisa, ele já havia percorrido a extensão da casa e levado para fora. Ele parou e voltou-se para o servo:
"Mas eu quero ver o Homem Santo!"
"Já o fizeste," disse o velho.
"Todos que tu encontras em tua vida, mesmo se eles pareçam simples e insignificantes... veja cada um deles como um sábio Homem Santo. Se fizeres deste modo, então quaisquer que sejam os problemas que trouxestes aqui hoje, serão resolvidos...
"E fechou a porta.
Koan
*Como alguém pode impedir uma gota d`água de jamais secar?
Koans são questões propostas por mestres zen-budistas para que seus discípulos, no intento de respondê-las, “travem” suas mentes racionais, fazendo estas se saturarem, dando lugar à mente intuitiva (mente cósmica), ou “Holística”, que abarca a mente limitante racional.
Essas questões são racionais, mas não têm respostas neste nível.
( Gazy Andraus )
“Aparentemente sem sentido ou incompreensível, um koan é, na verdade, um convite para superar a mente comum, um artifício para, num mesmo espanto, impelir a consciência para a iluminação”.
( Albert Low )
Qual era seu rosto antes de você nascer?
Qual é o som de uma das mãos ao bater palmas?
Para onde vamos depois da morte?
*ATIRANDO-A NO MAR!
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
"(...) Fernão Capelo Gaivota! É chamado ao centro! As palavras do Mais Velho foram pronunciadas no tom mais solene. Ser chamado ao centro só podia significar grande vergonha ou grande honra.Fernão Gaivota, disse o Mais Velho - é chamado ao centro por vergonha aos olhos das gaivotas suas semelhantes! - ...pela sua irresponsabilidade - entoava a voz solene - por violar a dignidade e a tradição da família das gaivotas...Irresponsabilidade? Meus irmãos! Quem é mais responsável do que uma gaivota que descobre e desenvolve um significado, um propósito mais elevado na vida? Se todos nós formos alienados seguindo os Mais Velhos, sob uma capa de “conhecimento acadêmico” limitadíssimo e fragmentado pela própria limitação da mente o mundo desconheceria a intuição e a emotividade. Dêem-me uma oportunidade, deixem-me mostrar-lhes o que descobri. Essa atitude cética de ver a vida não consegue dar uma perspectiva mais clara do mundo humano e não consegue porque usam sua rotina prática para distrair-se, para restringir a vida apenas às suas condições práticas. E fazem isso para evitar a lembrança de como se sentem inseguras em relação ao motivo de estarmos vivos e o que está por trás da vida biológica neste planeta. Por que estamos aqui na verdade?(...) Fernão Gaivota passou o resto dos seus dias sozinho, mas voou muito além dos Penhascos Longínquos. A solidão não o entristecia. Entristecia-o que as outras gaivotas se tivessem recusado a acreditar na glória do vôo que as esperava. Recusavam-se a abrir os olhos e a ver.(...) Quase todos nós percorremos um grande caminho. Fomos de um mundo para outro, que era praticamente igual ao primeiro, esquecendo logo de onde viéramos, não nos preocupando para onde íamos, vivendo o momento presente. Tem alguma idéia de por quantas vidas tivemos que passar até chegarmos a ter a primeira intuição de que há na vida algo mais do que lutar, ou ter uma posição importante dentro do bando? Mil vidas, Fernão, dez mil! E depois, mais cem vidas até começarmos a aprender que há uma coisa chamada perfeição, e ainda outras cem vidas para nos convencermos de que o nosso objetivo na vida é encontrar essa perfeição e levá-la ao extremo. A mesma regra mantém-se para os que aqui estão agora, é claro: escolhemos o nosso próximo mundo através daquilo que aprendermos neste.(...) - Fernão, você foi banido uma vez. O que é que o leva a pensar que alguma das gaivotas do seu tempo o ouviria agora? As gaivotas que você deixou estão no solo, gritando e lutando umas com as outras. Estão a mil e quinhentos quilômetros do paraíso, e você diz que lhes quer mostrar o paraíso, de onde estão! Fernão, elas nem vêem a própria ponta das asas! Fique aqui ajudando as novas gaivotas, essas que estão suficientemente cultivadas para compreenderem o que você lhes tem a dizer. - Não compreendo como você consegue amar um punhado de pássaros que acabam de tentar matá-lo.- Oh ! Chico! Não é isso que você ama! Você não ama o ódio e o inferno, é claro. Você tem que treinar até ver a verdadeira gaivota, o que há de bom em cada uma delas, e ajudá-las a ver isso nelas próprias. Para mim, o amor é isso. Quando você conseguir compreender e por isso em prática, até achará divertido.- Pobre Chico! Não creia no que os seus olhos lhe dizem. Tudo que mostram é limitação. Olhe com o entendimento, olhe além dos sentidos, do intelecto e da mente. Olhe além do corpo físico e descubra o que você já sabe intuitivamente, e então, verá como voar. O brilho extinguiu-se. Fernão Gaivota desapareceu no ar."
Bach, Richard. FERNÃO CAPELO GAIVOTA. Nórdica
“A consciência do corpo é o “Eu” errado. Desista desta consciência-corpo. Isto é feito através da busca da fonte do “Eu”. O corpo não diz “Eu sou”. É você quem diz “Eu sou o corpo”. Descubra quem é este “Eu”. Procurando a sua fonte, ele irá desaparecer. Seja o que você é. Não existe nada para ser manifestado. Realização não é nada a ser adquirido. Ela está sempre aí, mas obstruída por uma tela de pensamentos. Todos os seus esforços devem ser dirigidos para a superação desta tela, e então a realização é revelada. Realização é simplesmente a perda do ego. Destrua o ego pela procura da sua identidade. Uma vez que o ego não é nenhuma entidade, ele automaticamente desaparecerá, e a realidade irá brilhar por si mesma. Este é o método direto, enquanto todos os outros se concretizam somente através da retenção do ego”.
Assim como todos os seres humanos desejam ser sempre felizes, sem sofrimento; como existe em todos os casos, o amor supremo ao próprio Eu superior; e como apenas a felicidade produz o amor, para que se atinja essa felicidade que é a natureza do ser e que é experimentada no estado de sono profundo, onde não há mente, deve-se conhecer o próprio Eu superior. Para tal, o caminho do conhecimento, que consiste na indagação “Quem sou eu? , é o principal meio.
Maharshi, Ramana. ENSINAMENTOS ESPIRITUAIS: Cultrix
Meditação Contemplativa do Espelho
“A imagem no espelho sois vós,
Mas vós não sois a imagem;
Vossa existência não é a imagem do espelho.“
Deshimaru, Taisen. O ANEL DO CAMINHO. Pensamento
Como Praticar Zazen
Explicações e Ilustrações
Ilustrações: Sôtôshû-shumuchô
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Gasshô
É um expressão de respeito, fé e devoção. Junte as palmas e os dedos de ambas as mãos. Quando as duas mãos (a dualidade) se juntam, representam o Coração-Mente (a não-dualidade).
Shashu
Coloque o polegar de sua mão esquerda no meio da palma, faça um punho diante do peito e cubra com a outra mão, colocando o polegar da mão direita sobre a mão esquerda. Os antebraços fazem uma linha reta, com os ombros um pouco distantes do corpo.
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Rin'i-monjin
No seu lugar, faça uma reverência em gasshô e gire no sentido horário.

Taiza-monjin
Novamente, na direção oposta, faça mais uma reverência em gasshô .
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Kekka-fuza
Coloque o pé direito sobre a coxa esquerda e o pé esquerdo sobre a coxa direita.
Hanka-fuza
Se você não conseguir se sentar em kekka-fuza, apenas coloque o pé esquerdo sobre a coxa direita.
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As costas
Sente-se com as costas eretas, sem se inclinar para a esquerda ou para a direita, nem para frente ou para trás.
Hokkai-jôin
Coloque sua mão direita sobre o pé esquerdo, com a palma voltada para cima, e então coloque as costas da mão esquerda sobre a palma da mão direita. As pontas dos polegares devem se tocar levemente.
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Os olhos
Mantenha os olhos entreabertos, voltados para o chão, num ângulo de visão de 45 graus, sem focalizar qualquer ponto.
Kanki-issoku
Exale completamente e inspire. Faça calmamente uma profunda exalação e inalação. Abra levemente a boca e exale, suave e vagarosamente. Para exalar todo o ar dos pulmões, comprima o abdômen. Então feche a boca e inale naturalmente pelas narinas. A língua deve ficar encostada ao céu da boca. Este processo é chamado kanki-issoku.
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Sayu-yôshin
Deixe a base da espinha no centro do zafu, a almofada arredondada. Balance o tronco para os lados, diminuindo o ângulo até parar, centralizando a coluna vertebral sobre o zafu.
Kin'hin
Mantenha as mãos em shashu e caminhe lentamente, dando meio passo a cada respiração.
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Kakusoku
Não se concentre sobre qualquer objeto específico, nem tente controlar seus pensamentos. Mantendo a postura e respiração corretas, sua mente se tranqüiliza naturalmente. Quando os vários pensamentos surgirem, não tente agarra-los ou distração e da fixação, da sonolência e do pensamento, retornando à postura correta, momento a momento.
Um sino é tocado como sinal para marcar o início e o fim das sessões de Zazen e Kin’hin:
- quando o Zazen começa, o sino é tocado três vezes (shijosho);
- quando o Kin’hin começa, o sino é tocado duas vezes (kin’hinsho);
- quando o Kin’hin termina, o sino é tocado uma vez (chukaisho);
- quando o Zazen é terminado, o sino também é tocado uma vez (hozensho);
Ao final do Zazen, faça uma reverência em gasshô. Balance o corpo levemente para os lados, desdobre as pernas cuidadosamente e se levante, sem movimentos abruptos. Arrume o zafu e deixe o seu assento.
Ao final do Kin’hin, faça uma reverência com as mãos em shashu e caminhe lentamente até o seu assento.
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Fonte: http://www.dharmanet.com.br/
Meditação Kundalini
Música do Primeiro estágio - 15 minutos
A meditação Kundalini do Osho é uma maneira suave e efetiva para se livrar do stress do cotidiano, deixando-o relaxado e refeito.
É melhor se praticado ao entardecer: Por ser uma experiência individual, você deve permanecer desligado dos outros ao seu redor. Se possível, mantenha os olhos fechados, ou até mesmo usar uma venda. É recomendável estar com o estômago vazio e usar roupas leves e confortáveis.
"Permita o chacoalhar: fique de pé em silêncio, sinta a energia chegando e quando seu corpo começar a tremer, coopere, mas não reaja. Desfrute, alegre-se, permita, receba e de boas vindas." - Osho
Primeiro Estágio - 15 minutos
Solte-se e deixe seu corpo balançar, sentindo a energia vindo dos seus pés. Solte todas as partes do corpo e torne-se o balanço. Seus olhos podem estar abertos ou fechados. Permita que o balanço aconteça, não force.
Segundo Estágio - 15 minutos
Dance de forma descontraída permitindo seu corpo mover-se de forma livre respondendo aos estímulos naturais despertados pela música. Novamente seus olhos podem permanecer abertos ou fechados.
Terceiro Estágio - 15 minutos
Feche seus olhos e relaxe, sentado ou de pé, observando, testemunhando, tudo que acontece dentro e fora de você.
Quarto Estágio - 15 minutos
Com os olhos fechados, deite-se e relaxe.
Quando falamos em "movimento", estamos falando que sua solidez, a viga que o sustenta, deve sacudir até as fundações, para que se torne líquido, fluido, para que derreta, escorra.
Osho
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Julgamento significa um estado mental estagnado. E a mente sempre deseja julgar, porque estar em processo é sempre arriscado e desconfortável. Seja muito, muito corajoso; não pare de crescer, viva o momento, simplesmente permaneça no fluxo da vida.
Esta história aconteceu nos dias de Lao Tzu, na China, e Lao Tzu a amava muito.
Havia numa aldeia um velho muito pobre, mas até reis o invejavam, pois ele tinha um lindo cavalo branco... Reis ofereciam quantias fabulosas pelo cavalo, mas o homem dizia: " Este cavalo não é um cavalo para mim, é uma pessoa. E como se pode vender uma pessoa, um amigo?" O homem era pobre, mas jamais vendeu o cavalo.
Numa manhã descobriu que o cavalo não estava na cocheira. A aldeia inteira se reuniu, e disseram: "Seu velho estúpido! Sabíamos que um dia o cavalo seria roubado. Teria sido melhor vendê-lo. Que desgraça!"
O velho disse: "Não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está na cocheira. Este é o fato; o resto é julgamento. Se se trata de uma desgraça ou uma bênção, não sei, porque este é apenas um fragmento. Quem pode saber o que vai se seguir?
As pessoas riram do velho. Elas sempre souberam que ele era um pouco louco. Mas quinze dias depois, de repente, numa noite, o cavalo voltou. Ele não havia sido roubado, ele havia fugido para a floresta. E não apenas isso, ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.
Novamente as pessoas se reuniram e disseram: "Velho, você estava certo. Não se tratava de uma desgraça; na verdade provou ser uma bênção."
O velho disse: "Novamente vocês estão se adiantando. Apenas digam que o cavalo está de volta... quem sabe se é uma bênção ou não? Este é apenas um fragmento. Você lê uma única palavra de uma sentença - como pode julgar todo o livro?"
Desta vez as pessoas não podiam dizer muito, mas interiormente sabiam que ele estava errado. Doze lindos cavalos tinham vindo...
O velho tinha um único filho, que começou a treinar os cavalos selvagens. Apenas uma semana mais tarde ele caiu de um cavalo e fraturou as pernas. Novamente as pessoas se reuniram e mais uma vez julgaram. Elas disseram: "Você tinha razão novamente. Foi uma desgraça. Seu único filho perdeu o uso das pernas, e na sua velhice ele era seu único amparo. Agora você está mais pobre do que nunca."
O velho disse: "Vocês estão obcecados por julgamentos. Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe se isso é uma desgraça ou uma bênção. A vida vem em fragmentos, mais que isso nunca é dado."
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra, e todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar. Somente o filho do velho foi deixado para trás, porque era aleijado. A cidade inteira estava chorando, lamentando-se, porque aquela era uma luta perdida e sabiam que a maior parte dos jovens jamais voltaria. Elas vieram até o velho e disseram: "Você tinha razão, velho - aquilo se revelou uma bênção. Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com você. Nossos filhos foram-se para sempre."
O velho disse mais uma vez: "Vocês continuam julgando. Ninguém sabe! Digam apenas que seus filhos foram forçados a entrar para o exército e que meu filho não foi. Mas somente Deus, a totalidade, sabe se isso é uma bênção ou uma desgraça."
Não julgue, porque dessa maneira jamais se tornará uno com a totalidade. Você ficará obcecado com fragmentos, pulará para as conclusões a partir de coisas pequenas. Quando você julga voc~e deixa de crescer. Julgamento significa um estado mental estagnado. E a mente sempre deseja julgar, porque estar em processo é sempre arriscado e desconfortável.
Na verdade a jornada nunca chega ao fim. Um caminho termina, outro começa; uma porta se fecha, outra se abre. Você atinge um pico; sempre existe um pico mais alto. Deus é uma jornada sem fim. Somente aqueles que são muito corajosos, não se importando com a meta e se contentando com a jornada, satisfeitos simplesmente de viver o momento e de nele crescer... somente aqueles são capazes de caminhar com a totalidade.
Se você é poeta, vê claramente uma nuvem em um papel em branco. Se não existir a nuvem, a chuva não cai. Se não cair a chuva, a árvore não cresce. Se não cresce a árvore, não se faz papel. Então, podemos dizer que o papel e a nuvem se encontram em interexistência. Se observarmos mais profundamente o papel, veremos nele a luz do sol. Sem a luz do sol, o mato não cresce. Ou melhor, sem ela, nada no mundo cresce. Por isso, reconhecemos que a luz do sol também existe no papel em branco. O papel e a luz do sol encontram-se em interexistência. Se continuarmos observando profundamente, veremos o lenhador que cortou a árvore posteriormente levada à marcenaria.
Veremos também o trigo no papel. Sabemos que o lenhador não pode existir sem o pão de cada dia. Por isso, o trigo, a matéria-prima do pão, também existe no papel. Pensando desta maneira, reconhecemos que um papel branco não pode existir quando faltar qualquer um destes elementos. Não posso citar nada que não esteja aqui, agora. O tempo, o espaço, a chuva, os minerais contidos no solo, a luz do sol, as nuvens, os rios, o calor... tudo está aqui, agora. Não podemos existir sozinhos.
Temos que existir em interexistência com os demais, assim como um papel que existe porque todos os demais elementos existem.
Thich Nhat Hahn, citado em CAMINHO ZEN
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
UMAcreditando no impossível,
o impossível torna-se possível
Um dia, quando estava caminhando pelos jardins de uma antiga construção, perto de sua casa, Khidr, o misterioso guia dos sufis, apareceu para ele, vestido num verde reluzente. Khidr disse:
“Homem de brilhantes perspectivas! Deixe seu trabalho e encontre-me na beira do rio dentro de três dias.”
E então desapareceu.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
DOISTodo homem
é um homem de brilhantes
perspectivas,
porque todo homem tem Deus
como seu florescimento supremo
Todos da cidade logo ficaram sabendo disso, e comentaram:
“Pobre Mojud! Ele enlouqueceu.”
Mas, como havia muitos candidatos para seu emprego, logo o esqueceram.
No dia marcado, Mojud encontrou-se com Khidr, que lhe disse:
“Rasgue suas roupas e atire-se na correnteza.
Mojud assim o fez, mesmo suspeitando ter enlouquecido.
TRÊS a partir do coração
Como sabia nadar, não se afogou, mas foi levado para bem longe, até que um pescador o puxou para seu barco, dizendo:
“Homem tolo!
Mojud respondeu:
“Eu na verdade, não sei.”
“Você é louco”, disse o pescador, “mas o levarei para minha palhoça ao longo do rio, e veremos o que pode ser feito por você.”
Quando descobriu que Mojud era instruído, aprendeu a ler e a escrever com ele.
Depois de alguns meses, khidr novamente apareceu, desta vez aos pés da cama de Mojud, e disse:
“Levante-se agora e deixe este pescador. Suas necessidades serão supridas.”
QUATROEstou falando
sobre a correnteza
da consciência interna
Mojud imediatamente abandonou a palhoça, vestido de pescador, e perambulou até chegar a uma estrada.
“Você procura trabalho?”, perguntou o fazendeiro, “porque preciso de um homem para me ajudar a trazer de volta algumas compras.
Mojud o seguiu.
Uma tarde, quando estava enfardando lã, khidr apareceu para ele, dizendo:
“Deixe esse trabalho, vá para a cidade de Mosul e use suas economias para tornar-se um comerciante de peles.”
Mojud obedeceu.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
CINCOVocê está aqui para aprender
os caminhos da confiança
Em Mosul ficou conhecido como comerciante de peles, nunca vendo Khidr durante os três anos em que exerceu seu comércio.
“Dê-me seu dinheiro, saia desta cidade e caminhe até a distante Samarkand, e lá trabalhe para um merceeiro.”
Mojud assim o fez.
SEISSomente ao vivê-lo você o conhecerá
Logo começou a mostrar indiscutíveis sinais de iluminação.
Curava os doentes, ajudava seu companheiro na loja durante suas horas vagas e seu conhecimento dos mistérios tornava-se cada vez mais profundo.
Sacerdotes, filósofos e outros que o visitavam, perguntavam:
“Com quem você estudou?”
“É difícil dizer”, respondia Mojud.
A própria vida torna-se a mestra
Seus discípulos perguntavam:
Como “você começou sua carreira?”
Ele respondia: “Como funcionário público.”
“E você abandonou o cargo para se dedicar à automortificação?
“Não, simplesmente abandonei.”
Eles não o compreendiam.
Pessoas aproximavam-se dele para escrever a história de sua vida.
“O que você fez na vida?”, elas perguntavam.
“Pulei num rio, tornei-me pescador, depois deixei sua palhoça no meio da noite.
A espiritualidade é uma dádiva.
Ela surge para aqueles que confiam,
ela acontece para aqueles que amam,
e que amam imensamente
“Isso é verdade”, disse Mojud.
Então os biógrafos construíram para Mojud uma maravilhosa e excitante história; porque todos os santos devem ter suas histórias, e a história deve ser de acordo com o apetite do ouvinte, e não com a realidade da vida.
Osho, Mojud O Homem com a Vida Inesplicável, Madras
BARAKA
Baraka é uma antiga palavra da linguagem da filosofia sufi, que tem o significado da essência da vida da qual parte todo o processo evolutivo. Este filme é um documentário de imagens de lugares como a Tanzânia, China, Brasil, Nepal, Estados Unidos e Europa. A característica desta projeção, que une os dois filmes de Godfrey Reggio, é que não possui enredo e nem diálogo, e em seguida, transcende o local ou o idioma para proporcionar uma experiência sensual e espiritual ao espectador que tem a oportunidade de observar o mundo de um modo totalmente diferente.
Usando imagens flash mostrando as frenéticas grandes cidades com todas as suas formas típicas de degradação e marginalização alternando com imagens retratando esplêndidas e sugestivas montanhas e florestas. Reflete um desencontro da natureza mecânica da vida moderna, em contraste com a beleza natural do mundo. Este filme permite ao espectador perceber mais das interligações entre as situações e lugares muito diferentes, mas que, apesar da sua diversidade permitem a consecução do equilíbrio universal. Baraka como diz seu diretor Fricke é uma viagem para a redescoberta da natureza, da história, do espírito humano. Único na sua beleza, sensibilidade e percepção em 90 minutos você pode sair com o imaginário da realidade frenética para mergulhar no espaço mais calmo e espiritual do viver. Nunca lançado na Itália, Baraka é um dos melhores documentários de todo o mundo.
Adaptado dos livros Os Três Pilares do Zen (Editora Itatiaia) e O Livro de Ouro do Zen (Editora Ediouro).
Entre as várias formulações dos níveis de realização do Zen, nenhuma é mais amplamente conhecida do que as Figuras do Apascentar do Boi, uma seqüência de dez ilustrações com comentários em prosa e verso. É provavelmente por causa da natureza sagrada do boi na antiga Índia que esse animal veio a ser usado como símbolo da natureza primária do homem, ou natureza búddhica.
Os desenhos originais e o comentário que os acompanha são atribuídos a Kakuan Shien (Kuo-an Shih-juan), um mestre Zen chinês do século XII, mas ele não foi o primeiro a ilustrar por meio de figuras as sucessivas etapas da realização Zen. Existem versões mais primitivas da quinta e oitava figuras, nas quais o boi branqueia progressivamente e o último desenho é um círculo. Isso deixa subentendido que a percepção da unidade (isto é, o apagamento de qualquer concepção de si e do outro) era a meta final do Zen. Kakuan, porém, julgando que isso estava incompleto, acrescentou mais duas figuras além do círculo, para tornar claro que o homem do Zen de mais elevado desenvolvimento espiritual vive no mundo secular de forma e diversidade e se une com a máxima liberdade aos homens comuns, inspirando-os, pela sua compaixão e irradiação, a andar pelo caminho do buddha. Essa versão foi a mais largamente aceita no Japão e se revelou no decorrer dos anos como uma fonte de instrução e inesgotável inspiração para os estudantes Zen.
O desenho, o poema e os comentários, para cada etapa, são seguidos de uma interessante interpretação resumida do significado do desenho, extraído do livro The Inward Arc, de Francis Vaughan, Shambala, 1986. O subtítulo do livro é: Healing and Wholeness in Psychotherapy and Spirituality, e os comentários fornecem uma comparação fascinante entre o pensamento Zen tradicional e as idéias psicoterapêuticas e espirituais contemporâneas.
1. Procurando o BoiDesolado através das florestas e aterrorizado nas selvas, ele procura um boi que não encontra. Acima e abaixo, rios escuros, sem nome espraiados; Em matas espessas ele percorre muitas trilhas. Cansado até os ossos, com o coração pesado, continua a buscar algo que não pode encontrar. Ao entardecer, escuta cigarras gorjeando nas árvores.
O Boi nunca se extraviou realmente, então por que procurá-lo? Tendo dado as costas à sua Verdadeira- natureza, o homem não pode vê-lo. Por causa de sua corrupção, perdeu de vista o Boi. Repentinamente, defronta-se com um labirinto de caminhos entrecruzados. A ambição de ganho terreno e o pavor da perda surgem como chamas extintas; idéias de certo e errado projetam-se como adagas.
Interpretação:
O primeiro desenho do boi e o vaqueiro marca o início do arco interior ou caminho espiritual. A pessoa está consciente da possibilidade da iluminação e decidiu procurá-la. Tendo compreendido que o mundo exterior nunca traz uma satisfação duradoura, aquele que busca o caminho volta sua atenção para a consciência. Neste ponto, provavelmente fica confuso pelo emaranhado de vias que parecem ser o caminho da libertação. Cada via parece dizer: “Siga-me; se quiser se encontrar, livre-se do sofrimento e realize a iluminação”. Uma sensação de rigozijo e excitação que sempre acompanha a mudança de valores, quando os desejos da carne são substituídos pela ambição espiritual.
2. Encontrando os rastrosViu pegadas sem número na floresta e à margem das águas. Em que distâncias vê ele a relva pisada? Mesmo as gargantas mais profundas das mais altas montanhas não podem esconder o focinho desse Boi que toca diretamente o céu.
Através das sutras e dos ensinamentos, ele distingue os rastros do Boi. Foi informado que, assim como vasos de ouro de feitios diferentes são basicamente do mesmo ouro, também cada e toda coisa é uma manifestação do Eu. É, porém, incapaz de distinguir o bem do mal, a verdade da mentira. Não passou realmente pelo portão, mas tenta ver os rastros do Boi.
Interpretação:
O segundo desenho do boi e o vaqueiro representa o aspirante começando a estudar os ensinamentos da sabedoria – no caso, o Budismo. Esta etapa de busca envolve o conhecimento intelectual. Ele torna-se um discípulo sério e pode sentir-se seguro de ter encontrado o caminho certo.
3. Primeiro vislumbre do BoiUm rouxinol gorjeia num ramo, O som brilha nos salgueiros ondulantes.Ali está o Boi, onde poderia esconder-se?Essa esplêndida cabeça, esses cornos majestosos,que artista poderia retratá-los?
Se ele apenas escutar atentamente os sons cotidianos, chegará à compreensão e no mesmo instante verá a verdadeira Fonte. Os seis sentidos não são diferentes dessa verdadeira Fonte. Em qualquer atividade a Fonte está manifestamente presente. É algo análogo ao salto na água ou à liga na tinta. Quando a visão interior está corretamente focalizada, chega-se a compreensão de que aquilo que é visto é idêntico à verdadeira Fonte.
Interpretação:
O terceiro desenho do boi representa a atenção que se desvia dos ensinamentos esotéricos para a experiência direta. A fonte é descoberta presente nos sons e atividades cotidianas, e nos seis sentidos. O discípulo, nesta etapa, tornou-se um praticante que está conscientemente iluminado, não mais procurando nem seguindo pegadas. O boi é conhecido como sendo todos os caminhos, bem como aquele que busca e a própria floresta. Esta é a etapa do insight, que requer posterior disciplina para se estabilizar. A iluminação foi vislumbrada, mas exige um trabalho posterior para ser transformada numa luz permanente.
4. Agarrando o BoiEle precisa agarrar o laço com firmeza e não deixá-lo escapar porque o Boi tem ainda tendências doentias. Ora se precipita para as montanhas, ora vagueia numa garganta nevoenta.
Hoje ele encontrou o Boi, que tinha estado longamente corcoveando nos campos agrestes e realmente o agarrou. Por tanto tempo ele demonstrou nestes arredores que não era fácil fazê-lo romper com os velhos hábitos. Continua a ansiar por pastagens cheirosas, é ainda obstinado e indomável. Se o homem quiser domá-lo inteiramente, tem de usar seu chicote.
Interpretação:
No quarto desenho, vemos um boi teimoso, desenfreado e cheio de força. O praticante deve exercitar autodisciplina em todos os aspectos da vida. A libertação da energia, nessa fase, tanto pode ser criativa como destrutiva. É necessário reprimir-se, recomenda-se ao praticante ser verdadeiro, compassivo e não violento.
5. Domando o BoiEle deve segurar com firmeza o cabresto e não permitir ao Boi vaguear, para que não se extravie por lugares lamacentos. Devidamente cuidado, torna-se limpo e gentil. Solto, segue de bom grado a seu dono.
Ao surgir um pensamento, outro e mais outro nasceram. A iluminação traz a compreensão de que esses pensamentos não são irreais, já que brotam de nossa Verdadeira- natureza. É somente porque a ilusão ainda permanece que eles são considerados irreais. Esse estado de ilusão não tem origem no mundo objetivo, mas em nossas próprias mentes.
Interpretação:
O quinto desenho do boi é a etapa do treinamento avançado, na qual uma amizade sem esforço é estabelecida, com a sua própria natureza. O praticante avançado abandona as disciplinas aprendidas numa etapa inicial, e até mesmo as discriminações entre verdade e ilusão são transcendidas. A discriminação entre a vida espiritual e a vida comum não é mais útil e fazemos amigos com as limitações do ego. O boi torna-se um companheiro livre e o movimento está equilibrado.
6. Montando no Boi o traz de volta a casaCavalgando livre como o ar, ele volta animadamente para casa através da bruma da tarde, de capa e amplo chapéu de palha. Aonde quer que vá, produz uma brisa fresca enquanto profunda tranqüilidade domina em seu coração. Esse Boi não precisa nem de uma folha de relva.
Cessou a luta, “ganho” ou “perda” não mais o afetam. Ele cantarola melodias rústicas dos lenhadores e toca os cantos simples das crianças da aldeia. Montado no Boi, contempla serenamente as nuvens no alto. Não volta a cabeça (na direção das tentações). Embora alguém possa tentar perturbá-lo, permanece impassível.
Interpretação:
Este desenho representa o sábio montado comodamente no boi. “A luta acabou; ganhar e perder não mais o afetam”. Nesta etapa, o sábio irradia iluminação, suas ações são caracterizadas pela simplicidade, naturalidade, espontaneidade e tranqüilidade. O sábio mistura com o fluxo de vida normal, mas a ilusão sutil do boi como uma entidade separada persiste.
7. O Boi foi esquecido, ele está sóSomente no Boi ele poderia chegar à casa. Mas, eis que agora o boi desapareceu e o homem se senta, sozinho e tranqüilo. O rubro sol anda alto no céu enquanto ele sonha placidamente. Ao longe, sob o telhado de palha jazem seu chicote inútil e seu inútil laço.
No Dharma não há dualidade. O Boi é a natureza-Primária; ele o reconheceu agora. Uma armadilha não é mais necessária quando se apanhou um coelho, uma rede torna-se inútil quando se pegou um peixe. Como o ouro separado da escória, como a lua que atravessa as nuvens, um raio de luz irradiante brilha eternamente.
Interpretação:
No sétimo desenho, os dois se tornaram um. O aspirante voltou para casa. O sábio, agora, vê o Self como uma completa expressão da natureza verdadeira e não necessita mais de conceitos ou prática. Solidão e serenidade são desfrutadas na ausência de distinções.
8. Esquecido do Boi e de si mesmoO chicote, o laço, o Boi e o homem pertencem igualmente ao Vazio. Tão vasto e infinito é o céu azul que não pode atingi-lo. Conceito de nenhuma espécie. Sobre um fogo ardente, um floco de neve não pode subsistir. Quando a mente atinge esse estado, chega finalmente a compreensão do espírito dos antigos Patriarcas.
Todos os sentimentos ilusórios pereceram e as idéias de santidade também se extinguiram. Ele não permanece no estado de "Eu sou um Buda" e supera rapidamente o estágio de "Agora me purifiquei do orgulhoso sentimento de que não sou Buda". Mesmo os mil olhos dos quinhentos Budas e Patriarcas não podem discernir nele uma qualidade específica. Se centenas de pássaros fossem agora juncar de flores o seu quarto, ele não poderia envergonhar-se de si mesmo.
Interpretação:
O oitavo desenho do boi e o vaqueiro, um círculo aberto, está associado ao dharmakaya, o reino causal, no qual a consciência recorda sua unidade anterior como um-nada. No dharmakaya, não existem teorias, nem há detentores de teorias no dharmakaya. As barreiras ilusórias evaporam-se e um profundo estado de vazio está aberto à plenitude da vida. A idéia de iluminação em si é transcendente. A consciência individual desaparece dentro daquela de onde originalmente brotou.
9. Voltando à FonteEle voltou à Origem, retornou à Fonte, mas foi em vão que tomou suas providências. É como se estivesse agora cego e surdo. Sentado em sua cabana, não almeja as coisas que estão fora. Os riachos serpenteiam por si mesmos, as flores vermelhas desabrocham naturalmente vermelhas.
Desde o puro princípio não houve tanto quanto um grão de poeira para macular a intrínseca Pureza. Ele observa o crescer e o decrescer da vida no mundo, enquanto permanece imparcial num estado de imperturbável serenidade. Esse crescer e decrescer não é fantasma ou ilusão, porém uma manifestação da Fonte. Por que então há necessidade de lutar por alguma coisa? As águas são azuis, as montanhas verdes. Só consigo mesmo ele observa a mudança incessante das coisas.
Interpretação:
Na nona figura do boi e o vaqueiro, a consciência sem forma volta à forma sem perder a sua não-forma. Era necessário para a forma dissolver-se no vazio, antes de tornar-se a fonte. Agora, o vazio dissolve-se na fonte. Não há necessidade de fazer esforço. Observa-se que tudo está passando por mudanças sem fim.
10. Entrando na praça do mercado com mãos serviçaisCom o peito descoberto e descalço, ele entra na praça do mercado.Enlameado e empoeirado, como sorri mostrando os dentes!Sem recorrer a místicos poderes,faz árvores secas florescerem de repente.
O portão de sua casinha está fechado e mesmo os mais sábios não podem encontrá-lo. Seu panorama mental desapareceu por fim. Segue seu próprio caminho, não tentando seguir os passos dos antigos sábios. Carregando uma cabaça, passeia pelo mercado; apoiado em seu bordão, volta para casa. Ele guia os estalajadeiros e os peixeiros no Caminho de Buda.
Interpretação:
O décimo desenho do boi e do vaqueiro destrói a unidade bem como a duplicidade. Aqui, o sábio está representado retornando ao mundo dos mortais, à vida cotidiana, como um bodhisattva, aquele que renunciou à libertação pessoal para ajudar os outros. As mãos abertas representam o vazio perfeito, não faz nenhuma tentativa de seguir os sábios primitivos. O iluminado manifesta a iluminação alegremente e não segue nenhum caminho.
O O Ponto de Mutação é um livro de Fritjof Capra publicado em 1983.
O nome do livro foi extraído de um hexagrama do I Ching. Nele, Capra compara o pensamento cartesiano ao paradigma emergente no século XX. O primeiro é reducionista e modelo para o método científico desenvolvido nos últimos séculos. O segundo, holístico ou sistêmico, vê o todo como indissociável; o estudo das partes não permite conhecer o funcionamento do organismo. As comparações são feitas em vários campos da cultura ocidental atual, como a medicina, a biologia, a psicologia e a economia.
Fritjof Capra nos traz uma obra de sensibilidade e reflexão sobre as bases da existência e da integração do pensamento e das ações humanas no contexto do desenvolvimento, na busca da equação da vida e do progresso equilibrado e sustentado.
Partindo da paradisíaca ilha de Saint Mitchel, onde existe uma fortaleza medieval que com seu isolamento temporário, pelas marés, nos traz do subconsciente a imagem do isolamento do pensamento, com suas ruelas e salas, com seus cheiros e sabores, com suas masmorras e aposentos.
O político e o poeta se vem em um dilema, cada qual preso em seu mundo, procurando nele o sucesso sua direção, tal qual uma solitária ilha. O terceiro personagem busca o caminho, se transformar no isolamento, na fuga o perdão pelos resultados de suas ações e criações.
Ao se prenderem ao seu mundo próximo e com limites claros e estruturados, dentro das muralhas do conhecido, eles tendem a aplicar de certa maneira o cinismo que apregoam como básico: a convivência com pessoas menos inteligentes ou que podem ser conduzidas, seja na política, na ciência ou na vida, como turistas sem conhecimento ao encontrarem o novo.
Na discussão sobre o papel dos mecanismos que regem o mundo, abordam a evolução do pensamento humano, passando por Descartes e chegando aos nossos dias, onde vemos os líderes, as pessoas socialmente aceitas como condutores, pensando unicamente de forma mecanicista, aplicando a forma mais simples de conduzir: o modelo cartesiano, onde dividimos o todo em partes, para estudando e entendendo cada uma, procurar entender o todo. Este entender para os políticos seria controlar, induzir, prever.
Nesta ânsia, não poupam o custo do sacrifício da vida, da existência, aplicada a uma parcela da humanidade presa pelas quatro paredes dos modelos econômicos mecanicistas, que independente do custo social, só pensam na validação econômica de suas teorias e negociações. Os sistemas existentes não encorajam a prevenção, só a intervenção, que não consideram que só se constrói um modelo de sucesso no presente, se estimularmos o futuro. Chega-se a dedução de que precisamos adotar o modelo de intervenção colocado como feminino, nutriente, construtor, ao contraposto do modelo masculino basicamente dominador.
Para o desenvolvimento de uma condição de perpetuidade e oportunidades para o futuro, dentro deste conceito de nutriente, devemos aplicar um raciocínio ecológico, em contraponto ao pensamento cartesiano clássico, pensando em um mundo de recursos exauríveis, orgânicos e espirituais, sejam da natureza ou da capacidade de absorver as injustiças sociais.
Para poder entender e aplicar este pensamento, se faz crucial ativar a percepção, sendo que se somente as bordas da percepção aparecessem, tudo se desvendaria como realmente é.
Nesta forma sistêmica de pensar, identificamos os pilares como sendo as conexões, tudo se interconecta, formando mesmo com seus vazios e sem condições de definições exatas, a solidez da matéria, do pensamento e da estrutura do universo tangível. O que não vemos, o que não entendemos, necessariamente não pode ser abominado, relegado , sob pena de nossa cegueira estar baseada somente na miopia da falta de abertura para o novo.
Somos todos uma parte da teia imensurável e inseparável da relações, é nossa responsabilidade perceber as possibilidades do amanhã, pois antes de tudo somos os únicos responsáveis por nossas descobertas, nossas palavras, nossas ações, e os reflexos das mesmas no universo em que estamos inseridos.
Devemos entender e abrir nosso horizonte, para modelos sistêmicos, escapando do conforto dos processos, onde temos o controle, mas muitas vezes não a compreensão. Cabe dentro deste preceito teorizar sobre os sistemas vivos, onde temos o exemplo do homem que mirava uma árvore, mais do que caule, raízes, galhos e folhas, descobria vida, insetos, oxigênio, nutrientes, alimento, sombra, proteção, energia, uma síntese de integração.
O princípio para esta abertura é ver o todo, e antes de fracioná-lo entender sua conexão, interatividade, integração. Devemos ver o impacto global de nossa existência individual, nunca esquecendo que vivemos ciclos contínuos, renovação.
Um obstáculo para a expansão este pensamento é a clara e objetiva descoberta da interdependência, do fato de que mesmo sem o controle por parte de nossas ações, que nosso planeta flui em um processo vivo, se adaptando, transcendendo, progredindo, transgredindo padrões, evoluindo.
O pensamento voltado aos processos e não as estruturas, nos dá a ferramenta essencial para poder entender o princípio, os porquês e o caminho possível para esta evolução, conseguindo assim delinear a tênue e interlaçada margem entre o pensamento clássico cartesiano e o sistêmico totalmente integrativo, plotando o objetivo mestre das sociedades modernas, das mentes que buscam a perpetuidade no futuro: o desenvolvimento sustentável, a busca do equilíbrio.
Autoria: Cléber Agnaldo Arantes

Reflection - "Sorrow and Joy"
1) REFLEXÃO – Sentimento e Contato com o Coração
A mudança é iniciada por uma sensação de contato e reflexão sobre sua situação atual, que pode já não ser suficiente. Se você quiser mudar, você tem que ver as coisas como elas são. Isto frequentemente é chamado de honestidade emocional e coragem.
2) PREPARAÇÃO – Inspiração e Discriminação
A fim de mudar, algumas coisas devem ser deixadas para trás enquanto outras podem ser trazidas para uma nova estrutura. A montanha deve permanecer enquanto o rio se move.
3) PARTIDA - Compromisso e Decisão
Mudança também significa deixar algo conhecido e aparentemente seguro. Para chegar a um ponto de decisão se deparar com sentimentos de dúvida, hesitação e nostalgia.
4) JORNADA - Visão e Direção
Deixando o mover-se do conhecido para o desconhecido, ser realizado apenas por suas crenças e clareza de sua visão.
5) RESOLUÇÃO - Balanço e Aceitação
Na sequência de um apelo que emerge da quietude é que você pode encontrar o seu novo lugar. Uma nova estrutura está a construir-se - ao mesmo tempo, mais inteira e mais simples, baseada na aceitação e valorização de si mesmo e de suas habilidades. Com o tempo esta nova estrutura passará a ser o início para uma maior integração e mais um ciclo de mudança.
Em um nível de energia os 5 pedaços de seqüências de movimento em espiral descrevem as seguintes posições dos chakras, vinculando-os com os conceitos relacionados a cada parte. Isso pode ser usado como um exercício de meditação específica que pode ser útil em um processo de mudança.
1 - Coração - Reflexão
2 - Tireóide - Preparação
3 - Plexo-Solar - Partida
4 - Pineal - Jornada
5 - Raíz - Resolução
Mandala da Compaixão Criarterrapia - Jorge Studart
Ter chegado às últimas páginas deste livro faz lembrar a transitoriedade de nossa vida. Como passa rápido e como logo chegamos ao nosso último dia. Dentro de menos de cinqüenta anos, eu, Tenzin Gyatso, o monge budista, serei apenas uma lembrança. Na verdade, é pouco provável que qualquer uma das pessoas que estejam agora lendo estas palavras possa estar viva daqui a cem anos. O tempo passa inexoravelmente. Quando cometemos erros não podemos voltar os ponteiros do relógio para tentar outra vez. A única coisa que podemos fazer é usar bem o presente. Então, quando nosso último dia chegar, poderemos olhar para trás e ver que vivemos vidas plenas, produtivas e significativas, o que nos trará algum conforto. Do contrário, a tristeza pode ser muito grande.
A escolha entre as duas alternativas cabe somente a nós.
A melhor maneira de ter certeza de que um dia nos aproximaremos da morte sem remorsos é agindo de maneira responsável e manifestando compaixão pelos outros no presente. Na verdade, isso é de nosso próprio interesse e não apenas porque vá nos beneficiar no futuro. Como vimos, a compaixão é uma das coisas que mais dão sentido às nossas vidas. É a fonte de toda felicidade e alegrias duradouras. É o alicerce de um bom coração, o coração daquele que age motivado pela vontade de ajudar os outros. Por meio da bondade, da afeição, da honestidade, por meio da verdade e da justiça para com todos os outros é que asseguramos nossos próprios benefícios. Esta não é uma questão para ser debatida com teorizações complicadas. É uma questão simples, de bom senso. Não há como negar que a consideração pelos outros é algo valioso. Não há como negar que a nossa felicidade está inextricavelmente entrelaçada à felicidade dos outros. Não há como negar que, se a sociedade sofre, nós também sofremos. Nem há como negar que quanto mais animosidade há em nossos corações, mais infelizes nos tornamos. Por isso, podemos rejeitar tudo o mais: religião, ideologia, toda a sabedoria recebida. Mas não podemos escapar à necessidade de amor e compaixão.
Esta, então, é a minha religião verdadeira, minha fé simples. Neste sentido, não é preciso existir templo ou igreja, mesquita ou sinagoga, não há necessidade de filosofia, doutrina ou dogma complicados. Nosso próprio coração e nossa própria mente são o templo. A doutrina é a compaixão. Amor pelos outros e respeito por seus direitos e sua dignidade, sejam eles quem forem ou o que forem: é só o que afinal precisamos ter. Se praticarmos isso em nossas vidas diárias, não importa se somos instruídos ou ignorantes, se acreditamos em Buddha ou em Deus, se seguimos outra religião ou não seguimos nenhuma. Desde que tenhamos compaixão pelos outros e sejamos capazes de nos conter, motivados pela noção de responsabilidade, não há dúvida de que seremos felizes.
Portanto, uno minhas duas mãos e apelo a você, leitor, para que torne o resto de sua vida tão significativo quanto possível. Faça isso através da prática espiritual, se puder. Como espero ter deixado claro, não há nada de misterioso nisso. Consiste apenas em agir levando os outros em consideração. E se você o fizer com sinceridade e persistência, pouco a pouco, passo a passo, será capaz de reordenar seus hábitos e atitudes e pensar menos em seu pequeno mundo de interesses e mais nos interesses de todas as outras pessoas. E encontrará paz e felicidade para si mesmo.
Abandone a inveja, desapegue-se do desejo de sobrepujar os outros. Em vez disso, tente fazer bem a eles. Com bondade e gentileza, com coragem e confiando que é assim que terá sucesso de fato, receba-os como um sorriso. Seja franco e honesto. E tente ser imparcial. Trate todos como se fossem amigos muito próximos. Não digo isso como Dalai Lama ou como alguém que tenha poderes ou talentos especiais. Não os tenho. Falo como um ser humano, alguém que, como você, quer ser feliz e não sofrer.
Mas se você por algum motivo não puder ajudar os outros, procure ao menos não lhes fazer nenhum mal. Considere-se um turista. Pense no mundo como é visto do espaço, tão pequeno e insignificante, e ainda assim tão belo. Haveria realmente alguma coisa a ganhar fazendo mal a alguém durante a nossa estada aqui? Não seria preferível e mais razoável divertir-se e aproveitar a ocasião tranqüilamente como se estivesse visitando um lugar diferente? Portanto, se em seu passeio pelo mundo você dispuser de um momento, tente ajudar, mesmo que de forma modesta, aqueles que são oprimidos ou que por alguma razão não podem ou não querem ajudar a si mesmos. Tente não dar as costas àqueles cuja aparência é perturbadora, aos maltrapilhos e enfermos. Procure nunca pensar neles como se fossem inferiores. Se puder, não se considere melhor do que nem mesmo o mendigo mais humilde. Vocês dois terão a mesma aparência depois da morte.
Para encerrar, gostaria de compartilhar com você uma breve oração que serve de grande inspiração para meu propósito de fazer bem aos outros.
Que eu me torne em todos os momentos, agora e sempre,

