Adaptado dos livros Os Três Pilares do Zen (Editora Itatiaia) e O Livro de Ouro do Zen (Editora Ediouro).
Entre as várias formulações dos níveis de realização do Zen, nenhuma é mais amplamente conhecida do que as Figuras do Apascentar do Boi, uma seqüência de dez ilustrações com comentários em prosa e verso. É provavelmente por causa da natureza sagrada do boi na antiga Índia que esse animal veio a ser usado como símbolo da natureza primária do homem, ou natureza búddhica.
Os desenhos originais e o comentário que os acompanha são atribuídos a Kakuan Shien (Kuo-an Shih-juan), um mestre Zen chinês do século XII, mas ele não foi o primeiro a ilustrar por meio de figuras as sucessivas etapas da realização Zen. Existem versões mais primitivas da quinta e oitava figuras, nas quais o boi branqueia progressivamente e o último desenho é um círculo. Isso deixa subentendido que a percepção da unidade (isto é, o apagamento de qualquer concepção de si e do outro) era a meta final do Zen. Kakuan, porém, julgando que isso estava incompleto, acrescentou mais duas figuras além do círculo, para tornar claro que o homem do Zen de mais elevado desenvolvimento espiritual vive no mundo secular de forma e diversidade e se une com a máxima liberdade aos homens comuns, inspirando-os, pela sua compaixão e irradiação, a andar pelo caminho do buddha. Essa versão foi a mais largamente aceita no Japão e se revelou no decorrer dos anos como uma fonte de instrução e inesgotável inspiração para os estudantes Zen.
O desenho, o poema e os comentários, para cada etapa, são seguidos de uma interessante interpretação resumida do significado do desenho, extraído do livro The Inward Arc, de Francis Vaughan, Shambala, 1986. O subtítulo do livro é: Healing and Wholeness in Psychotherapy and Spirituality, e os comentários fornecem uma comparação fascinante entre o pensamento Zen tradicional e as idéias psicoterapêuticas e espirituais contemporâneas.
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